segunda-feira, 1 de março de 2010

PT 30 anos e as perpectivas para o pós Lula.

Nosso país viveu 308 anos como colônia de Portugal, 67 anos como império (dependente financeiramente da Inglaterra), 40 anos da política do café com leite, 15 anos da ditadura de Getúlio Vargas, 20 anos da ditadura militar, 18 anos do desenvolvimentismo expressado em JK e 20 anos de Collor a Lula. Nestes mais de 500 anos, podemos afirmar que o país passou a respirar os ares de democracia interna, desenvolvimento e soberania de forma sustentável e prolongada há exatos 8 anos.
Com a abertura política de 1979 e a instituição do pluripartidarismo, nasceram o PDS como substituto da Arena; o PMDB como substituto do MDB; Leonel Brizola criou o PDT; Ivete Vargas criou o PTB tentando reeditar a visão trabalhista de Getúlio Vargas; e a militância de esquerda, especialmente aqueles que participaram do movimento guerrilheiro, os militantes ligados à teologia da libertação, o campesinato, o sindicalismo, o movimento operário, o movimento estudantil e intelectuais que enfrentaram a ditadura militar, resolvem criar o PT.
Nestes 30 anos o quadro político brasileiro tem se aperfeiçoado gradativamente: o PTB não emplacou o Getulismo, o PDT perde Brizola e o espaço nacional, o PMDB se especializa em política regional e local abdicando do poder central, O PSDB nasce de uma costela do PMDB e passa a disputar o poder central chegando a governar por 2 mandatos, o PDS trocou de nome por várias vezes, e sua doutrina inicial está acomodada agora no DEM e por fim, passamos a conviver com uma espécie de “bipartidarismo” que de um lado empoderou o PSDB por 8 anos numa coalizão liderada por PSDB/DEM, recebendo ainda o apoio de governabilidade do PMDB e tendo o PT e demais partidos de esquerda como sendo sua alternativa e sua oposição, não dando espaço para uma terceira via.
Em 2002, o PT organiza uma nova coalizão de partidos e forças políticas, apresentam uma nova “carta aos brasileiros” e vencem as eleições neste ano. O Exercício de governo enfrentou de um lado as amarguras da crise política de 2005 e de outro, a alegria de superar os mais graves problemas do país tanto interno como externamente. A coalizão de apoio ao governo Lula recebeu o apoio do PMDB que nas eleições de 2006 continuou na linha do regionalismo sem querer disputar um espaço maior no poder central.
Para 2010, o PT conclama todos os partidos políticos de centro-esquerda para uma coalizão mais robusta para disputar um processo em que Lula não será o candidato e que o PSDB se prepara para assumir o papel de único caminho alternativo ao PT. Entendo que neste processo fica muito difícil para uma terceira via e a bipolarização tente a continuar. O DEM tem perdido muito de seus quadros e enfrenta sérios problemas no DF e na capital de São Paulo, poderá sair como o grande derrotado para o Congresso Nacional, a direção do PSDB tem preferido o discurso do “Contra” (contra o PAC, a política fiscal e cambial, bolsa família, etc.) e por fim o PMDB em 30 anos de história resolveu disputar o poder central participando da chapa nacional e indicando o vice de Dilma Roussef.
Pois bem, se o quadro de 2010 se confirmar com o sucesso da coalizão PT/PMDB, tanto na presidência da República, quanto no parlamento e nos governos estaduais, presumo que o a coalizão PSDB/DEM reformularão suas direções, poderão propor fusões, Aécio poderá se transformar no grande líder nacional dos tucanos e o PMDB assumirá um papel muito mais eficaz até 2018 construindo também seus quadros para este tipo de missão.
A saída de Lula inevitavelmente propiciará o surgimento de novas lideranças no plano nacional até mesmo porque ele afirmou em discurso no 4º congresso do PT que não será mais candidato, prefere ver Dilma eleita e reeleita e que seu papel poderá ser o de “articulador” da construção Sul-Sul e da América Latina. Este quadro poderá avançar ainda mais se se configurar uma repetição da coalizão nacional nas eleições para o governo de São Paulo com Ciro Gomes, Rio de Janeiro com Sérgio Cabral e Minas Gerais com José Alencar, situação que forçará a polarização Dilma/Serra.
Assim, segundo Aécio Neves, o melhor é pensar no pós-Lula, trabalhando preventivamente para as próximas sucessões (2014/2018), com os efeitos da copa do mundo e das olimpíadas que colocarão o Brasil nos holofotes do Planeta inteiro com bilhões de olhos e ouvidos prestando atenção em nós e imaginem se o Brasil estiver bem melhor que agora.
Sobre os propósitos e o programa de construção do Brasil, a coalizão PT/PMDB apresentará um conjunto de fatores inevitáveis para a economia, para a sociedade e para as relações externas dentro de uma visão de Estado indutor do processo, reformulando a lógica das negociações internacionais entre países ricos e pobres, reformulação da representação no Conselho de Segurança da ONU, reformulação da orientação para as gêmeas de Bretton Woods (Banco Mundial e FMI), refazer um novo consenso em substituição ao de Washington e por fim fazer uma das maiores festas populares quando da comemoração do 7 de setembro de 2022, data em que o Brasil poderá está de fato independente das amarras do atraso, da pobreza, da submissão política e ser uma das três maiores economias do mundo.
a próxima década.
TEXTO: Sibá Machado

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